Muito além da roupa suja

Ação de Graças em San Francisco

O feriado de Ação de Graças é o mais importante nos Estados Unidos. Possivelmente, mais importante que o Natal. A tradição remete à primeira colheita boa que os colonos de New England tiveram em 1621, depois de alguns anos de muita dificuldade. A quarta quinta-feira de novembro é o dia que os americanos separam para ver jogo de futebol e comer muito.
O que seria como um domingo qualquer aqui no Brasil, é o grande dia do ano por lá. E tudo fica fechado. Fecham lojas, museus, escritórios e restaurantes.

Quando percebi que não iria conseguir passar o Thankgiving Day com meus primos em LA, jantando um típico peru recheado, purê de batatas e torta de abóbora, surgiu um grande ponto de interrogação na minha cabeça. O que eu iria fazer em San Francisco no feriado mais importante do país, com tudo fechado?

Resolvi reservar para esse dia a parte mais turistona da cidade que, com certeza, teria a maior densidade de estabelecimentos abertos. Logo que amanheceu, eu e meu pai tomamos café da manhã e pegamos um bonde até o Pier 39.
Expectativa: alugar uma bicicleta e atravessar a Golden Gate Bridge.
Realidade: comemos um hot dog às 10 da manhã.

Ação de Graças em San Francisco, Pier 39
Vibe de parque temático
Pier 39 decorado para o Natal
De manhã cedinho, o pier ainda estava vazio.

O que aconteceu foi o seguinte: fui tapeada. Porque li muitos guias e blogs e, pelo que acabei entendendo, não dava pra avistar muito bem a ponte do Pier 39.
Gente, SUPER DÁ!
Aí analisei a distância, percebi que tem uma baita subida, reavaliei o nosso preparo físico… Não deu pra não optar pelo hot dog! Ficamos ali no Pier passeando, vendo os leões marinhos e comprando uns souvenirs. O lugar é bem fake, mas é bonitinho. Me senti como num parque temático da Universal, ou no City Walk. Não eram todos os lugares que estavam abertos, mas tinha bastante coisa pra fazer.

Golden Gate Bridge vista do Pier 39
Golden Gate Bridge vista do Pier 39
Leões marinhos tomando um Sol
Leões marinhos colocando o bronzeado em dia

Pensamos em pegar um ferry até Salsalito, porque ouvimos muitas pessoas falarem do tanto que a cidade era linda, mas o ferry não estava fazendo esse trajeto no feriado. Resolvemos pegar um outro tour, então, que passava pela Golden Gate Bridge e dava a volta na ilha de Alcatraz. Conseguiríamos fotos legais da ponte e, de quebra, seria um bom esquenta pro passeio do dia seguinte.
Recomendo muito esse barquinho, realmente superou nossas expectativas. Fizemos com a empresa Blue and Gold e pagamos US$23.50 cada um. O tour que fizemos é o Bay Cruise Adventure, que dura 60 minutos. Como dia estava lindo, acho que valeu muito a pena!

San Francisco vista do barco
San Francisco vista do barco
Minha dupla da viagem, companheiro para todas as horas!
Minha dupla da viagem, companheiro para todas as horas!

Voltando do passeio, fomos caminhando na orla (Ego feelings) até Fisherman’s Wharf, que fica no pier 45. Aí a região turística começa a fica um pouco mais deprê, com um monte de lojas feiosas que só vendem tranqueira misturada com as lojas legais (imagine Times Square, à beira mar e sem neon). Ainda assim, para quem quer comer frutos do mar, essa área me pareceu ter opções mais em conta do que no Pier 39.

Pier 45
Pier 45, mil restaurantes atrás de mim
Boudin Bakery, o templo do pão sourdough
Boudin Bakery, o templo do pão sourdough

Almoçamos na Boudin Bakery, porque tanto eu quanto meu pai gostamos muito de pão com fermentação natural (e de todos os outros pães também). Essa unidade da Fisherman’s Wharf é enorme e é onde os pães são realmente feitos. A fábrica é toda envidraçada então, mesmo sem participar do tour guiado, pudemos dar uma espiadinha. Optamos por comer no Bistrô que fica no andar superior. Estavam servindo um cardápio especial de Thanksgiving, mas resolvemos pedir Fish and Chips mesmo. As porções são muito fartas e é tudo muito gostoso! A batata frita era perfeita!

Pãezinhos charmosos
Pãezinhos charmosos
Fachada do Musée Mécanique, literalmente um galpão
Fachada do Musée Mécanique, literalmente um galpão

Depois do almoço fomos ao Musée Mécanique, que eu estava louca para conhecer. É como se fosse um museu do fliperama. Muitas das máquinas lá datam da década de 1930 e é interessante também a parte histórica da coisa, sabe? Ficávamos imaginando a sociedade da época se divertindo com as cenas. Aliás, recomendo fortemente o “Song of the Prairie” para todos os bobos alegres, como eu. Algumas das máquinas são mais modernas, tem fliperama do Piratas do Caribe, tem do Indiana Jones, tem aquele que você tem que martelar as toupeiras, tem aquele filho do hockey com o ping pong… E, entre um jogo e outro, você pode reparar nos detalhes de um parque de diversões em miniatura, feito todo de palitos de dentes. Meu pai e eu nos divertimos bastante e dificilmente gastamos mais de 20 dólares no total. A entrada do museu é gratuita, você só paga o que “consumir”, mas a maioria das máquinas usa só um ou dois quarters.

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Meu pai jogando golf
Ghirardelli SquareÇ a maioria das lojas fechadas, mas comprei bastante chocolate!
Ghirardelli Square: a maioria das lojas fechadas, mas comprei bastante chocolate!

Andamos mais um pouco pela Wharf mas, como o cansaço estava grande e muitos lugares estavam fechados, logo voltamos para o hotel. No caminho percebi algumas lojas abertas na Market Street. Poucas, mas existentes.

Foto poser no bondinho poser.
Foto poser no bondinho poser.

Tiramos um cochilo, assistimos X Factor (pobre Beatrice Miller) e fomos jantar. Estavamos planejando ir num restaurante Tailandês no SoMa, mas demos com a cara na porta. Recalculamos a rota e fomos no King of Thai, que é quase um fast food, mas eu tinha visto que ficaria aberto até tarde (já eram mais de 21h). De barriga cheia, fomos ao lugar que nunca fecha no feriado: o cinema. Nosso hotel ficava a um quarteirão de um complexo AMC, então desde o Brasil a gente já sabia que ia acabar indo ao cinema eventualmente. Assitimos Skyfall e, quando o filme acabou, já era umas 23h. Eu queria muito ver o povo se acotovelando na porta da Target ou aquele multidão esperando a abertura da Macy’s à meia-noite. Mas em San Francisco não tinha nada disso. No máximo vimos uma filinha na porta da H&M, mas porque a loja ia distribuir vale-compras de 100 dólares aos 100 primeiros clientes. Como não tinha bagunça pra assistir, acabando dando o dia por encerrado.

 

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