Muito além da roupa suja

Atacama: Valle de la Luna e Valle de la Muerte

O passeio ao Valle de la Luna e Valle de la Muerte foi o primeiro de nosso roteiro no Atacama e é, tipicamente, o primeiro passeio da maioria das pessoas. Primeiro porque é bem perto da cidade, dá pra ir até de bicicleta. Ser perto também significa pouca variação de altitude, o que é ótimo para os recém-chegados que ainda não estão muito adaptados nem aos 2400m de altitude de San Pedro do Atacama.

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Fizemos esse passeio pela agência Grado 10 e ele era o nosso test ride antes de decidirmos se fecharíamos outros passeios com ele. Salvo algumas peculiaridades, pelo que observei, o esquema é bem parecido em todas as agências. O grupo se encontra na praça da cidade às 16h e segue junto até o veículo que levará ao passeio.

O grupo tinha umas vinte pessoas era acompanhado pela Claudia, nossa guia. O grupo era composto quase que só por brasileiros, tinha só umas duas gringas (não sei de onde elas eram), então a Claudia falava conosco em espanhol e depois em inglês com elas. Eu não sei se já falei por aqui sobre a minha relação com o idioma espanhol, mas sou do tipo de brasileira altamente incompetente que não consegue inventar um portunhol nem pra salvar a própria vida. Eu conheço algumas palavras mas, quando é coisa que eu não sei, eu simplesmente TRAVO. É bem tosco e isso me envergonha um pouco, principalmente quando vejo brasileiros falando fluentemente um espanhol inventado com desenvoltura e gestos e tudo mais. Bom… talvez seja um bom momento pra rever o que eu classifico como vergonha, né?
Enfim, divaguei pra caramba, mas o objetivo era falar que eu sou ruim de espanhol, mas a Claudia falava bem devagar, então consegui entender tudo sem problemas.

Esse é o caminhão da Grado 10.
Esse é o caminhão da Grado 10.

A viagem foi rápida, coisa de 15 minutos, e no caminho a Claudia foi explicando o que iríamos fazer naquela tarde. Ela também recolheu o nosso dinheiro, porque os vales ficam em um parque nacional e é necessário pagar entrada (2.000 CLP por pessoa, com desconto para crianças, estudantes e idosos). É importante ficar atento e sempre levar dinheiro, pois quase todos os passeios cobram entrada e elas nunca estão inclusas no valor das agências.

Chegando ao Valle de la Luna, fomos fazer uma caminhada pelo local, acho que demoramos mais ou menos 1 hora por lá. As formações da rocha eram bem interessantes, e é assustador pensar que, um dia, tudo aquilo estava debaixo de água. Esses branquinhos que vocês vêem nas fotos é tudo sal.

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A caminhada inicial achei meio dificilzinha, viu? Porque é areia muito fofa, então nem tanto pelo esforço, mas entrou muita areia no meu tênis e isso impactou meu bem estar geral. Fiquei o passeio inteiro meio querendo voltar logo pro hostel e tirar a meia cheia de terra e lavar o pé. Mas acho que depois de um tempo eu já tava mais acostumada com o desconforto, então o impacto foi progressivamente menor. O legal é que você começa a entrar num túneis naturais, dá pra ver direitinho a erosão causada pela chuva nas 2 únicas vezes que deve ter chovido por lá.
A última parada da caminhada foi numa caverninha. Gente, fim de tarde no Atacama é um calor e um sol ardido que ninguém merece. Aí você já tá há um tempão enfiando o pé na jaca areia e chega numa sombrinha fresquinha, tem até lugar pra sentar e descansar… Podia ter ficado uns 20 minutos lá, mas NÃO. Inventei de subir no alto da pedra por caminhos difíceis. Por que eu faço essas coisas?
Dessa vez, foi porque do jeito que a guia falou, eu achei que seria uma experiência fantástica com uma vista inesquecível-melhor-do-mundo. Acabei achando meio fuén porque, por melhor que fosse, a pedra não era assim tão alta, e a vista não era assim tão diferente do que a gente já estava vendo desde que chegou no vale. E eu com a câmera pendurada no pescoço, morrendo de medo de bater a lente na pedra, achei que não valeu a hype. Mas, se quando você for, não rolar a hype, pode subir, porque não será tanta decepção.

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Esses risquinhos na pedra são caminhos dos pingos de chuva. Essa foto dá um pouco de aflição em vocês também?

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Depois de voltarmos para o caminhão, fomos ver as pedras das Três Marias. Essas pedras são um negócio muito complexo, como vocês podem conferir nas fotos abaixo. A primeira Maria está agachada, a do meio segura um bebê e a terceira tá com os braços levantados, como se estivesse clamando a Deus. Nunca saberei o que foi que havia tomado a pessoa que resolveu batizar essas pedras assim, pra mim é igual ficar procurando desenho na nuvem ou no granito. Ou ver Jesus no queijo quente.

Essas são as Três Marias...
Essas são as Três Marias…
… e esse é o queijo quente. Saudades de quando Glee era assistível, viu?

Os passeios com agências são quase todos assim, cheio de paradinhas. Algumas bem legais, como a Pedra do Coyote, e outras meio constrangedoras, como essas marias aí. A parada seguinte foi um mirante, num esquema de superação total, pois subimos uma duna a pé. Tem todo um caminho certinho, como uma trilha, então não é exatamente arriscado, apenas cansativo.
Acho válido fazer uma pausa pra falar da areia e tranquilizar vocês. Esse foi um fator que tinha me decepcionado um pouco nesse dia e, por ser o primeiro, me deixou bem receosa quanto aos outros passeios. Será que eu ficaria todos os dias com o tênis cheio de areia? Será que todas as minhas meias teriam que ir para o lixo? Será que terei que ficar subindo dunas embaixo de Sol ardido a semana inteira? Mas, não. Tá tudo bem agora. Esse passeio do Valle de la Luna foi o único da viagem em que o deserto se adequou àquele estereótipo cheio de areia de desenho animado e Lawrence da Arábia. Então todos os outros acabam sendo bem mais tranquilos nesse aspecto; fora que tá todo mundo no perrengue, e quando tem muito brasileiro junto passando perrengue no exterior, the zueira never ends. Então acaba sendo divertido.

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Quando o Sol já está começando a dar uma brecha, descemos a duna e fazemos uma parada rápida no Valle de la Muerte. A parada é tão rápida que eu nem sei porque esse negócio entra no nome do passeio. Tenho quase certeza que ficamos mais tempo vendo aquelas marias. O mais legal do Valle de la Muerte é que ele é a total comprovação que toda aquela região tinha rios e lagos pra caramba. Dá pra ver os leitos direitinho e tem uma parte que o solo é de argila bem molinha.

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Esse solo vermelho fez com que os exploradores tivessem a idéia de dar o nome de Valle de Marte a esse lugar. Mas o escrivão parece que entendeu errado e registrou como Valle de la Muerte.
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Faça seu próprio souvenir, rs

O ponto alto do passeio fica para o final, e é daqueles que valem a viagem. E não, não estou falando dos tiozinhos que vendem empanadas. É do pôr do Sol na Pedra do Coyote mesmo.

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O Atacama tem muitas, muitas (mas muitas mesmo) paisagens lindas e inesquecíveis. Mas, pra mim, essa foi uma das mais marcantes. Não sei se por ter sido a primeira, mas era um cenário tão grandiosamente imenso que ficava até difícil se colocar em uma perspectiva exata em relação a tudo. E eu meio que só conseguia ficar pensando como Deus criou um mundo tão imenso assim e como eu sou tão pequenininha no meio de tudo isso (e mesmo assim Ele cuida de mim). Filosofias poéticas à parte, melhor terminar com algumas fotos, pra vocês talvez começarem a entender do que eu estou falando. Inclusive, essas fotos foram o melhor argumento que eu trouxe pra minha família, que ficou por meses querendo saber mas por que raios eu queria tanto ir pro Atacama.

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2 Respostas para Atacama: Valle de la Luna e Valle de la Muerte

    • Eu sei que não chove! rs
      Acho que o Atacama é um destino que dá pra ir o ano todo. No inverno, claro, fará mais frio à noite e talvez você veja menos flamingos. Sei que alguns passeios não dá pra ser feito como no verão. Lembro que meu guia contou que no inverno o salar de Tara congelava, mas eles levavam patins. Então, o que acontece é da viagem ser diferente, mas não inviável e nem menos inesquecível.

      abs

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