Muito além da roupa suja

Atacama: Gêiseres del Tatio

No meu mundo perfeito, o passeio aos Gêiseres del Tatio ficaria para os últimos dias. A recomendação geral é de deixar esses passeios mais altos mais para o final, quando a gente já está mais acostumado com a altitude e corre menos risco de passar mal. Bom, nem preciso falar que não rolou mundo ideal na minha vida, né?

O rolê até os gêiseres acabou tendo que ficar para nossa segunda manhã em San Pedro do Atacama. Manhã esta em que o despertador tocou 4h30 da madrugada. Na noite anterior tínhamos ido dormir super tarde, porque foi um tal de fechar os outros passeios, pizzaria demorada, banho pra preservar a dignidade… Quando o Hanson começou a ecoar no quarto (acordar ao som de MMMBop foi uma das escolhas sábias que fiz para minha vida), a gente tava bem zonza.

Gêiseres del Tatio

Outra zica do dia: ficamos sem café da manhã. O pessoal do hostel sempre deixava um saquinho com comida pra quem ia sair em passeio antes das 8h30 da manhã, que era o início do café. Mas acho que alguém acabou pegando nossas marmitas por engano. O que não foi de toooodo mal porque: 1) Não sou assim de acordar super faminta no meio da madrugada. 2) Tinha comida na mochila (gordo sempre tem). 3) Eu estava morreeeeeeeeeendo de medo de vomitar. De estômago vazio, as chances caem um pouco.

Esse lance do vômito era por causa do soroche, sabem? É assim que chamam o mal de altitude, causado pelo ar rarefeito (com pouco oxigênio). Os sintomas variam de dor de cabeça a sangramento intracraniano. E rola um medinho geral quando a guia explica que estaremos a mais de 4300m de altitude e que eles têm folhas de coca e um cilindro de oxigênio(!), pro caso de alguém precisar. Eu tava numas de que não ligava de morrer, desde que não vomitasse. No dia anterior, tinha um cara contando que tiveram que parar o caminhão várias vezes pra ele chamar o Hugo, e eu fiquei meio horrorizada. Eu realmente odeio vomitar; entendo que ninguém realmente goste. Mas eu faço QUALQUER NEGÓCIO pra evitar..

post-it-297252_640Mas voltando à programação normal… A van chegou no hotel pra nos levar até o caminhão por volta de 5h, e depois ainda foi um tempão pegando mais gente no hotel. Quando saímos de SPA ainda estava escuro, e demorou bastante para amanhecer. Uma coisa que achei legal foi que tinha cobertores nos bancos, então me aninhei com meu fone de ouvido e minhas toneladas de bala de coca. Não cheguei a dormir, mas curti tranquilamente a viagem de quase 2 horas até o campo geotérmico. Único sintoma de altitude que senti foi dor de cabeça. Mas poderia ser a noite mal dormida ou o estômago vazio, então nem fiquei paranóica.

Quando chegamos no parque (a entrada custou 5.000 CLP), a nossa guia disse que a temperatura estava -8ºC. Eu só me incomodei mesmo com o frio quando fiz a besteira de tirar a luva pra esquentar a mão no vaporzinho do gêiser. Trófeu babaquice pra mim. O vaporzinho não tava tão bom e fiquei com a mão fria um tempão.

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Pra aguentar a friaca não tem segredo, é se vestir em camadas, como sempre. Eu usei uma segunda pele de manga comprida, uma blusa de fleece (com gola alta, pra economizar o cachecol) e, por cima, um casaco de penas da Uniqlo. Essa jaqueta é uma boa idéia pq ela ocupa espaço quase nenhum e ainda funciona como corta vento. Nas pernas, usei uma legging meio peludinha por baixo da calça de algodão. Pra mim faz muita diferença levar luvas e gorro; se você não tem um kit quentinho, não se preocupe porque tem toneladas disso pra vender em SPA.

A primeira parada do dia foi o campo geotérmico de Tatio, o terceiro maior do mundo. Os gêiseres ficam em atividade do nascer do Sol até umas 10h da manhã. Por isso saímos cedo, para aproveitar ao máximo!

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Quando chegamos, o céu já estava bem claro e os gêiseres a todo vapor. Literalmente. No Chile, os gêiseres não têm aqueles jatos fortes de desenho do Zé Colméia, mas ainda assim, dá pra ver a água espirrando no meio do vapor. O que eu achei mais legal, é que ao entrar em contato com a terra fria, a água vai formando uma camada fininha de gelo no chão. Recomendo cautela na hora da empolgação, viu, galera?

Esqueci meus patins :(
Esqueci meus patins 🙁

Depois de um tempo mais do que suficiente pra você curtir a empolgação total de ver gêiseres pela primeira vez e caipirar a coisa toda, seguimos para as termas. Basicamente, uma piscina natural de água quentinha (às vezes, quentona). Quem quiser entrar na água, não esqueça de levar roupa de banho, toalha e chinelo na mochila.

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Ao fundo são gêiseres, não churrasqueiras.

Eu, como não sou muito amiga da idéia de expor meu bumbunzinho ao frio que estava fazendo, fiquei vendo outros gêiseres naquela área e esperando ansiosamente pelo café da manhã.

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Gente, esse café foi um super diferencial da Grado 10, viu? As recalcada chora, porque não vi nenhuma outra agência de mesa posta como nós. E nem com misto quente, omelete ou PANQUECAS!!! Comemos panquecas com doce de leite até dizer chega. E esse esqueminha familiar de todos ao redor da mesa foi super legal para aumentar a integração do grupo.

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Eu não sou muito do talento social, mas nesses passeios do Atacama, você sempre acaba agrupado mais ou menos com as mesmas pessoas todos os dias, então não é difícil puxar conversa.

Antes de pegarmos a estrada para voltar a SPA, deu pra passar no banheiro e tirar a segunda pele. O dia já estava começaaaando a esquentar.

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O caminho de volta foi daqueles cheios de paradas suuuuuper curiosas de 5 minutos e só. Eu gostei muito desse lugar aí nas fotos acima, que eu não lembro se tinha nome e também da trilha dos cactos gigantes. O lance dos cactos é que eles crescem tipo meio milímetro por ano (não lembro ao  certo), então aqueles eram bem bem velhos. Enfim, são boas oportunidades de fotos.

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Spoiler alert!! Florzinhas amarelas no canto inferior direito.
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A galera ficou tirando foto “abraçando” o cacto. Juro.

a parada no povoado Machuca, achei bem furreca. Esse é um povoado que é super antigo, mas que agora só tem umas 7 pessoas na vila. Basicamente, só estão lá mesmo para servir empanada e churrasquinho de llamo para os turistas que param por lá todos os dias. Sim, porque TODAS as agência param lá. Sinceramente, achei super forçado, nenhum pouco autêncico, achei miadíssimo e me recusei a sair do ônibus. Não consegui entender até que ponto a cultura deles está super preservada.

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A melhor parte dessa parada foi que a guia ficou nos explicando sobre como funciona o cultivo das llamas. Pecuária normal, turma. Mas achei informação curiosa que a carne que é servida para consumo costuma ser de llamo, pois as fêmeas são preservadas para leite e procriação. E, pra quem ficou curioso para experimentar, recomendo o restaurante do Ayllu, em SPA mesmo, que tem uma super variedade de pratos de llamo e atendimento muito bom também.

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Esse tour aos Gêiseres del Tatio termina no início da tarde. Chegamos de volta à cidade por volta de 14h. Nesse dia, fomos estratégicas e não marcamos nenhum passeio para o período da tarde. Então aproveitamos para colocar o sono em dia!

 

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2 Respostas para Atacama: Gêiseres del Tatio

    • Eu acho o gif meio impublicavel, mas fiquei tão apaixonada qdo ganhei, q não resisti! Que bom q não tô sozinha!!
      Fernanda, pelas fotos não dá pra ter noção do quão mais lindo é aquilo nos 360°! Recomendo muito!

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