Muito além da roupa suja

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Meu Roteiro no Sudeste Asiático

Hoje eu vim aqui falar pra você ir ao Sudeste Asiático. De quebra, ainda te dou umas dicas de como montar o roteiro.

Durante os meses em que planejei minha viagem e, mais ainda depois que voltei, conversei com muita gente curiosa que sonhava em conhecer a Ásia (principalmente as praias da Tailância e Angkor Wat, no Camboja) e eu ficava me perguntando: “E por que não vão?”!!

Tem gente que acha muito longe.

E vôo longo costuma significar vôo caro. Concordo. Mas promoções de passagens para lá não são assim tão raras, basta aguardar e confiar. Depois que chegou lá, todos os outros gastos (hospedagem, comida e passeios) podem ser bem baixos, mesmo que em dólar. Acredito muito que, considerando-se o valor total, uma viagem de três semanas pelo Sudeste Asiático não sai muito mais cara do que uma semana em Londres ou NY. 

Meu Roteiro no Sudeste Asiático
Pôr do Sol em Railay Beach, Tailândia.
Pôr do Sol ainda tem acento?

Tem gente que tem medo. 

Medo da comida?
É uma delícia! Garanto que larvas, cachorro e escorpiões não fazem parte da alimentação diária em nenhum dos países que visitei. E se você resolver uma dia que não aguenta mais nem ver arroz e macarrão, não é difícil encontrar restaurantes que sirvam comida ocidental. Fora que vende Pringles em qualquer mercadinho, rs.

Um medo que eu tinha era de passar mal por causa da comida e perder passeios. Mas – ALERTA DE OVERSHARING – a única vez que reinei durante a viagem foi num dia que tinha comido um waffle com morangos, sorvete e chantilly. Ou seja, motivos totalmente ocidentais. Acho que um desequilíbrio osmótico, rs. No geral já não sou muito chegada à pimenta, isso com certeza ajudou, e comíamos em restaurantes sempre que possível. Não era por nojinho da comida de rua, não. Mas na Tailândia era sempre MUITO calor, aí nunca me dava apetite debaixo do Sol e, no Vietnã eu lembro que tinha nojo de sentar pra comer com as motocas cuspindo fumaça em mim.

Ah! A gente também teve ajuda extra. Minha nutri nos indicou um probiótico que melhorava a flora e a imunidade intestinal. E, além disso, também tomei vacina contra cólera, ETEC (uma cepa de E. coli que causa a diarréia do viajante) e hepatite A. Notem que rolou uma certa paranóia, né?

Medo de não saber o idioma?
Quase todo mundo que lida com turistas lá fala um pouco de inglês. A maioria das placas e avisos também costumam ter tradução para o inglês. Ah! Mas você não fala inglês? Então, sorria. Em todos os países pelos quais passamos as pessoas eram super solícitas e simpáticas, sempre dispostos a auxiliar os turistas (afinal, turismo gera bufunfa, né?). Então sorria e se joga na mímica que vai ser sucesso!

Medo de violência?
Esse é dissipado logo nas primeiras pesquisas. Mas minha família não pesquisou, né?

Então quando contei que ia sozinha para a Ásia, meus pais e minha irmã entraram em pânico. Eu ia ser assaltada, estuprada, roubada, assassinada, vendida… enfim, deu pra entender o contexto Busca Implacável, né? Aí acabou que minha irmã mandou o marido ir viajar comigo, aproveitando que ele tinha muitos dias de férias para tirar. Vou te falar que mesmo arranjando companhia masculina e – supostamente – protetora, por muitos meses qualquer comentário feito sobre a viagem era feito em tom acusatório como se eu fosse uma louca inconsequente.

Mas-porém-todavia-entretanto, nos mais de 20 dias que passei no Sudeste Asiático, não houve nenhum momento em que achei que seria ataca se não fosse pelo Felipe do meu lado.

Templos de Angkor, no Camboja
Templos de Angkor, no Camboja

Brasileiro tem mania de achar que todo país pobre é violento igual o nosso, mas a coisa não é bem assim. Basta tomar cuidados básicos e ter bom senso. A única cidade em que fomos alertados sobre crimes foi Hanói. Lá tem muitos batedores de carteira mas, até onde nos falaram, batem só a carteira e não em você. Então é só ficar bem de olho nos seus pertences. Abordagem violenta é bem rara. Será que por causa do budismo? Todo mundo zen?

Enfim, daria pra eu ter ido sozinha sem problemas. E, com certeza, você também.

Também, muita gente acha que não pode ir pra Ásia antes de ir pra Argentina, Chile, Canadá, EUA e mais trocentos países europeus. Mas uma percepção que eu tenho é que muita gente tem a Tailândia como super viagem dos sonhos e fica “desperdiçando” férias em outros lugares.

Viagem não é igual faculdade que você precisa cursar algumas disciplinas porque são requisitos para cursar outras mais adiante no curso. Meu avô mesmo perguntou por que eu não ia pra Itália ou para a Suíça ao invés desses países esquisitos. A minha resposta não poderia ser mais simples porque, no momento, eu não tenho a menor vontade de ir a esses lugares.

Desapeguem da idéia de que precisa ficar montando currículo turístico. Gente, eu nunca nem fui pro Paraguai e tô aqui, atacando de blogueira. Se for seu sonho, vai lá e faz!

Mas… cadê o roteiro?

Ótimo! Agora que já resolvemos este ponto, vamos ao planejamento do roteiro. Esse mochilão não foi uma viagem exatamente complexa de planejar, você não precisa ser um viajante super experiente, mas precisa se dedicar. Ou contratar alguém que faça essa parte por você.

O primeiro passo é determinar quantos dias você terá para essa viagem. Como é muito longe, recomendo pelo menos 15 dias. Menos que isso, acho que o cansaço da viagem e da diferença de fuso horário não compensam; reduz muito o tempo útil de viagem.

O segundo passo é escolher os destinos. Esse é o mais difícil, várias escolhas de Sofia nesse passo. Eu fui lendo o Lonely Planet e minha lista só ia aumentando. Depois de umas três sessões de cortes para tornar o número de cidades compatível com o tempo de viagem (média de três noites/cidade), a lista de países ficou em Tailândia, Vietnã e Camboja. Antes de bater o martelo, ainda trocamos o Norte da Tailândia por Luang Prabang no Laos, e precisamos cortar Ho Chi Minh City, no Vietnã e Phnom Penh, capital do Camboja. Acabamos batizando nossa viagem de “Southeast Asia: Greatest Hits”.

Cada escolha uma renúncia, isso é a vida.

Cachoeira Tad Sae. O Laos foi uma boa escolha.
Cachoeira Tad Sae. O Laos foi uma boa escolha.

O terceiro passo foi montar a ordem da coisa toda. Compramos a passagem internacional ida e volta de Bangkok, com escala em Abu Dhabi, pela Etihad. Recomendo começar e terminar em cidades como Bangkok, Cingapura ou Kuala Lumpur, pois a logística de vôos é melhor, a viagem fica menos eterna.

Nós partimos de um raciocínio muito bom e do qual sou muito adepta: comece pelo perrengue e vá progredindo ao descanso. Então começamos pelo Laos, que “com certeza é superroots e sem estrutura”e terminamos com uma semana fazendo vários nadas nas praias da Tailândia.

Em teoria, nosso roteiro estava genial. Só que acabamos nem sempre encontrando vôos baratos disponíveis entre as cidades. Só que, quando chegou lá, amamos o Laos super lindo e estruturado para o turismo, e o maior perrengue dureza da viagem eu passei exatamente em uma praia da Tailândia. E, claro, vou contar tudo em um post futuro que deve entrar no ar em algum momento nos próximos 10 anos.

O ponto é que eu recomendo que você teste todas as variáveis para ver os trajetos mais em conta e, a partir daí, decidir a ordem das suas visitas. Claro que de ônibus é sempre mais barato, mas como tínhamos só alguns dias, a intenção também foi otimizar o tempo.

No final, ficou assim:

20/10/2014: embarque em GRU rumo a Bangkok

22 a 25/10/2014: Bangkok

25 a 28/10/2014: Luang Prabang

28 a 31/10/2014: Hanói (com Ha Long Bay)

31/10 a 04/11/2014: Siem Reap

04 a 07/11/2014: Krabi – Railay Beach

07 a 10/11/2014: Krabi – Koh Phi Phi

10 a 12/11/2014: Bangkok

12/11/2014: retorno a GRU

Sobre as praias, resolvemos ficar só no mar de Andaman, pois chove muito no Golfo nessa época do ano.

Fiquei uma noite em Bangkok antes de voltar, porque o Fe queria passar uma noite em Abu Dhabi e eu não quis. Tive medo dele me vender em troca de camelos.

Grand Palace de Bangkok, na Tailândia
Grand Palace de Bangkok, na Tailândia

Em Bangkok não tem problema ficar mais tempo do que eu fiquei. Em capital sempre tem muita coisa pra ver, fora que a cidade também pode servir de base para várias day trips. Mas não me arrependo de ter ficado pouco, quem sabe não volto depois?

O que eu faria de diferente: tiraria uma noite de Siem Reap e colocaria em Hanói. Os templos foram legais, mas achei que ia fazer 2 ou 3 dias de tour e depois vi que, pra mim, um foi super suficiente. Por outro lado, gostei demais do Vietnã e vi várias coisas pela cidade que não tive tempo de ir.

Ah, Vietnã. Essa barra de chocolate que eu só pude dar uma única mordida. Um dia volto pra lá também.

Ha Long Bay, no Vietnã
Ha Long Bay, no Vietnã

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